LITERATURA COMPARADA.

 



          Literatura comparada é organização de conexões e comparações de diferentes textos literários e relaciona a obra de um determinado escritor em sua peculiaridade histórica, social, cultural e semântica com a de outros escritores.

          O texto é comparado em períodos e espaços diferentes com outros textos e equiparados também com outras formas de arte como quadros, filosofia, psicologia, cinema e teatro. Como exemplo de comparação temos a carta de Pero Vaz de Caminha com o quadro de Portinari. As duas obras abordam a chagada dos colonizadores aqui, sendo que a carta no ponto de vista dos colonizadores e o quadro na visão do nativo.

          Os estudos da literatura comparada são amplamente comuns na Europa, especialmente na França. Além de ser um tema complicado e ambíguo, essa literatura tem no seu encalço a literatura geral.

          A literatura brasileira tem uma relação forte com a europeia, sobretudo com a portuguesa ä medida que o Brasil era colônia na América e a Europa vivencia o Renascimento cultural e nossa literatura estava em atraso. E só se tornou forte no Século XIX com o Modernismo.

          O Professor, Sociólogo e Crítico Literário, Antônio Cândido, promove diálogo entre a literatura brasileira e universal, identificando os pontos fracos e retrocessos de nossa literatura. Sem deixar, portanto, de reconhecer talentos como Clarice Lispector. Para o Professor não basta compreender o país somente pela literatura. Isso geraria grandes responsabilidades, pois há uma discrepância de um país assolado pelo analfabetismo com outro que tem um bom desenvolvimento educacional.

          Mia Couto escreve sobre sua Terra e dá elevada atenção a fala de seu povo. Sua obra é construída a partir de uma prosa poética, o que leva ser comparado com escritor brasileiro Guimarães Rosa. A obra de Mia Couto tem uma narrativa africana, isso fica bem evidenciado em Promessas de uma Noite, do livro Raízes do Orvalho.

          Mesmo separado por um período e espaço, o moçambicano Mia Couto e o brasileiro Guimarães Rosa encontram-se na literatura e as comparações são inevitáveis. Não só pela forma de escrever, mas por sua admiração pelo mineiro. Esse encontro foi possível pela tradição literária, que não é uma simples repetição do que já existe, mas a criação de algo novo, sem esquecer as influências do passado.

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