O OLHAR CONTEMPORÂNEO QUE PRODUZIMOS SOBRE A MULHER, A PARTIR DOS CONTOS: “PAI CONTRA MÃE” E A “CARTOMANTE”. DE MACHADO DE ASSIS..
SINÓPSE.
A história começa numa sexta-feira de novembro de 1869 com um diálogo entre Camilo e Rita. Camilo nega-se a acreditar na cartomante e sempre desaconselha Rita de maneira irônica. A cartomante está caracterizada neste conto como uma impostora, destas que falam tudo o que serve para todo mundo. É uma personagem sinistra, que não tem o seu nome revelado; destaca-se como uma personagem que ilude as personagens principais. Rita crê que a cartomante pode resolver todos os seus problemas e angústias. Rita, no fim do conto, quando está prestes a ter desmascarado seu caso com Camilo, no ápice de seu desespero, recorre a esta mesma cartomante, que por sua vez a ilude da mesma forma como ilude a todos os seus clientes, inclusive Camilo. A mulher usa frases de efeito e metáforas a fim de parecer sábia e dona do destino de Camilo, que sai de lá confiante em suas palavras. Ao chegar no apartamento de Vilela, Camilo encontra Rita morta e é morto à queima-roupa pelo amigo de infância, que já estava sabendo da traição da esposa e o esperava de arma em punho.
MINHAS REFLEXÕES.
O conto “Pai contra Mãe” de Machado
de Assis, mostrar o quanto estamos parados no tempo com certos comportamentos e
com a subjetividade herdada da escravidão. Essa herança está entranhada no
discurso social e na linguagem cotidiana. Ela se transforma, mas não se
extingui. Esse conto compõe Relíquias de casa velha e
chama atenção por sua temática e pela mistura de estilos. A escrita de Machado transforma-se em ferramenta
significativa para a elaboração e prática dos psicanalistas, uma vez que, para
essa ciência, o exercício de sua ética não está dissociado da escuta dos
discursos que organizam a subjetividade em seu tempo e lugar.
O texto
foi escrito pouco tempo depois que a escravidão foi proibida, no entanto não
significava que ela tenha deixado de existir. O autor escreve e o leitor sente a angústia que este real desvelado provoca. É
também ele quem assume a responsabilidade pelas consequências ao reconhecer o
que foi grafado. Esse movimento dá autonomia ao leitor que ficou revoltado.
Esse texto ficcional do mestre Machado de Assis se torna precioso para os
psicanalistas quando examinados à luz do dia, com todo o peso, a
responsabilidade e o mal-estar que provocam.
A violência contra mulher se
manifesta de diferentes formas. Pode ser física, moral, psicológica, sexual muitas vezes termina em morte. Diante do exposto, ela normalmente é anteposta por
ultras formas de violência, mas que pode ser evitada.
Estas análises permitem entender como a
sociedade em que vivemos se construiu. Embora haja uma cidadania formal, com
leis que criminalizam o preconceito e a discriminação, há um longo caminho a se
percorrer para se alcançar a cidadania real, onde de fato haja igualdade. Casos
de preconceitos raciais e discriminação continuam acontecendo, fruto de uma
sociedade escravocrata que nunca se preocupou na resolução efetiva do problema
da escravidão bem como os desafios da violência doméstica.
A obra A
Cartomante nos faz refletir se há um herói ou um vilão, todos os protagonistas carregam
aspectos positivos e negativos. Todos os personagens têm um papel social, são
vítimas, mas também algozes e se relacionam entre si. Isso pode ser visto na
personagem Rita, que traía o marido, e por outro lado carregava o fardo de
interpretar o papel de mulher socialmente adequada mantendo um casamento de
fachada.
Vale salientar
que na obra não encontramos nenhum juízo de valor sobre as atitudes apresentadas.
O narrador, assim como no conto pai contra mãe, transfere para o leitor, a
responsabilidade de julgar o comportamento dos personagens em questão.
https://www.culturagenial.com/a-cartomante-de-machado-de-assis/
https://www.editorarealize.com.br/artigo/visualizar/27213



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