COMPONDO O SUBSTANTIVO.
É tudo aquilo que dá nome às coisas. Tem essa classificação, as palavras que representam pessoas, objetos, fenômenos, lugares, ações, sentimentos, estados físicos/emocionais e qualidades.
-lugares: Brasil, São Paulo, Alemanha, Porto Alegre...
-sentimentos: raiva, amor, paixão, ódio...
-estados: alegria, tristeza...
-qualidades: honestidade, sinceridade...
Os substantivos são flexionados em gênero (feminino e masculino), número (singular e plural) e grau (diminutivo e aumentativo) . Portanto, um substantivo pode ser simples ou composto, ou até mesmo, primitivo ou derivado.
Circuito Fechado de (Ricardo Ramos)
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, telefone, agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo. xícara.
Mesmo não tendo estruturas complexas, em forma de sentenças ou frases, por exemplo, conseguimos entender a ideia do autor ao construir o texto acima, não conseguimos? Podemos perceber também que o texto utilizado como exemplo foi construído somente com substantivos. Somente com o jogo das escolhas de palavras (que nesse caso são todas substantivos), podemos imaginar, por meio da descrição, a situação que o autor deseja nos contar.
Outro exemplo é o refrão da música “Não é Proibido”, de Marisa monte:
https://www.youtube.com/watch?v=edZOU-SEwnQ
Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,
Uh!
Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar
Metalinguagem e educação em "Marcelo, marmelo, martelo", de Ruth Rocha.
O que é essa tal de Metalinguagem?
É quando uma determinada linguagem fala dela mesma.
Marcelo vivia fazendo perguntas a todo mundo:
- Papai, por que é que a chuva?
-Mamãe, por que é que o mar não derrama?
- Vovó, por que é que o cachorro tem quatro pernas?
As pessoas grandes às vezes respondiam. Às vezes, não sabiam como responder.
-Ah, Marcelo, sei lá...
Uma vez, Marcelo cismou com o nome das coisas:
- Mamãe, por que é que eu me chamo Marcelo?
- Ora, Marcelo foi o nome que eu e seu pai escolhemos.
- E por que é que não escolheram martelo?
-Ah, meu filho, martelo não é nome de gente! É nome de ferramenta...
- Por que é que não escolheram marmelo?
Porque marmelo é nome de fruta, menino!
- E a fruta não podia chamar Marcelo, e eu chamar marmelo?
No dia seguinte, lá vinha ele outra vez:
- Papai, por que é que mesa chama mesa?
- Ah, Marcelo, vem do latim.
- Puxa, papai, do latim? E latim é língua de cachorro?
- Não, Marcelo, latim é uma língua muito antiga.
- E por que é que esse tal de latim não botou na mesa nome de cadeira, na cadeira nome de parede, e na parede nome de bacalhau?
-Ai, meu Deus, este menino me deixa louco!
Daí a alguns dias, Marcelo estava jogando futebol com o pai:
-Sabe, papai, eu acho que o tal de latim botou nome errado nas coisas. Por exemplo, por que é que bola chama bola?
- Não sei, Marcelo, acho que bola lembra uma coisa redonda, não lembra?
-Lembra, sim, mas ... e bolo?
- Bolo também é redondo, não é?
- Ah, essa não! Mamãe vive fazendo bolo quadrado...
O pai de Marcelo ficou atrapalhado.
E Marcelo continuou pensando:
“Pois é, esta tudo errado! Bola é bola, porque é redonda. Mas bolo nem sempre é redondo. E por que será que a bola não é a mulher do bolo? E bule? E belo? E Bala? Eu acho que as coisas deviam ter o nome mais apropriado. Cadeira, por exemplo. Devia chamar sentador, não cadeira, que não quer dizer nada. E travesseiro? Devia chamar cabeceiro, lógico! Também, agora, eu só vou falar assim”.
Logo de manhã, Marcelo começou a falar sua nova língua:
- Mamãe, quer me passar o mexedor?
- Mexedor? Que é isso?
- Mexedorzinho, de mexer café.
- Ah, colherinha, você quer dizer.
- Papai, me dá o suco de vaca?
- Que é isso menino?
- Suco de vaca, ora! Que está no suco-da-vaqueira.
- Isso é leite, Marcelo. Quem é que entende este menino?
O pai de Marcelo resolveu conversar com ele:
- Marcelo, todas as coisas têm um nome. E todo mundo tem que chamar pelo mesmo nome porque, senão, ninguém se entende...
- Não acho, papai. Por que é que eu não posso inventar o nome das coisas?
Deixe de bobagens, menino! Que coisa mais feia!
- Esta vendo como você entendeu, papai? Como é que você sabe que eu disse um nome feio?
O pai de Marcelo suspirou:
- Vá brincar, filho, tenho muito que fazer...
Mas Marcelo continuava não entendendo a história dos nomes. E resolveu continuar a falar, à sua moda. Chegava em casa e dizia:
- Bom solário pra todos...
O pai e a mãe de Marcelo se olhavam e não diziam nada. E Marcelo continuava inventando:
Sabem o que eu vi na rua? Um puxadeiro puxando uma carregadeira. Depois, o puxadeiro fugiu e o possuidor ficou danado.
A mãe de Marcelo já estava ficando preocupada. Conversou com o pai:
- Sabe, João, eu estou muito preocupada com o Marcelo, com essa mania de inventar nomes para as coisas... Já pensou, quando começarem as aulas? Esse menino vai dar trabalho...
- Que nada, Laura! Isso é uma fase que passa. Coisa de criança...
a história do Marcelo que inicia a obra, assim como é a história a ganhar o favoritismo do público, atraindo milhares de leitores das mais variadas faixas etárias, sendo o livro mais vendido da autora até os dias de hoje, com mais de dez milhões de exemplares vendidos.
Embora mantenha o foco narrativo nos questionamentos de Marcelo e em suas atitudes, a autora sustenta um segundo plano recheado de abordagens sobre questões ideológicas, linguísticas, sociais e familiares, por meio de uma linguagem simples e cativante.
Basicamente, a história aborda os questionamentos infantis acerca dos nomes das coisas, assim como a importância de ser compreendido e poder se expressar da forma como achar melhor. Talvez por isso atraia tantos leitores adultos.
No caso de Marcelo, Marmelo, Martelo, a escritora alcança essa perspectiva literária para as crianças, unindo os eixos escola/família, e ainda vai além. Ela demonstra que os questionamentos devem e podem fazer parte do indivíduo, sendo isso uma maneira de se adquirir uma identidade própria frente à sociedade e a família. O personagem principal realiza questionamentos o tempo, como podemos ver no trecho a seguir.
Essa história expõe os conflitos internos da criança em relação a quem ela é e seu lugar no mundo, deixando clara a necessidade de a criança ser compreendida e orientada pelos pais, assim como de se posicionar em relação àquilo em que acredita. Note-se também a representatividade que possui na história a imagem do pai e da mãe, sempre presentes.
Essa leitura conduz a criança a uma meditação sobre coisas, pessoas, linguagem, família e sociedade, devido ao fato do personagem sempre observar os objetos, as coisas e suas funções, conforme vemos no trecho apresentado anteriormente. Marcelo não entende porque todos simplesmente aceitam as palavras como são e não questionam as origens de determinadas coisas, mesmo quando não possuem explicações convincentes para as suas dúvidas. O tema da linguagem encontra-se na reflexão que é realizada em torno das palavras e sua relação com o objeto; o da família encontra-se no papel desempenhado pelos pais de Marcelo, os quais procuram compreendê-lo e ajudá-lo com suas dúvidas e descobertas, não o recriminando. Por fim, o tema das relações com a sociedade encontra-se na presença da imagem dos vizinhos e na preocupação dos pais de Marcelo sobre o que eles pensariam ao ver Marcelo falando da forma como falava.


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