PERFIS FEMININO NA LITERATURA BRASILEIRA.
No mundo fictício da nossa literatura, a mulher
apresenta-se sempre multifacetada, versátil e controvérsia. Assim, a identidade
feminina foi sendo construída e desconstruída nas teias dos mais variados
romances, perpetuando ou destruindo preconceitos e estereótipos, promovendo
então, uma leitura clara da cultura brasileira, seja através do viés social,
familiar ou religioso, os quais podemos analisar, neste trabalho, através dos olhares
masculinos de José de Alencar e de Machado de
Assis.
Percebe-se uma estabilização do imaginário que
hierarquizou os valores masculinos e inscreveu às mulheres a resignação e a
passividade diante da opressão social e da familiar, de estruturas
profundamente patriarcais, e em outros momentos, criou um perfil feminino com
caracteres baseados na coragem, na força, na inteligência, na astúcia, e na
dissimulação, entre outros caracteres intrigantes, retratando assim, uma mulher
prática, com personalidade forte e marcante.
Muitos autores escreveram sobre as mulheres e para as mulheres. Cada
autor por meio de seus personagens tentou traçar um perfil de mulher
enfatizando enfoques diferentes. Criaram donzelas, cortesãs, mulheres urbanas republicanas;
orgulhosas ou tímidas, calculistas ou levianas, singelas ou complexas, entre
tantas outras.
Da obra de Aluízio Azevedo - O Cortiço
Rita Baiana é um dos personagens mais notáveis da literatura brasileira.
Filha do realismo naturalista, é escrita com uma riqueza de detalhes visuais e
sensoriais incríveis. Forte, apaixonada e politicamente incorreta, é
absolutamente impossível não adorá-la. Sedutora e consciente de seus encantos,
é maliciosa e faminta de vida, um diabo de saias. É sem dúvidas, a alma de O Cortiço, de Aluízio de Azevedo,
embora não seja a protagonista. Ela não aparece desde o começo e nem está
presente no fim, mas rouba a cena em sua aparição fulminante. Escrita em 1890,
é uma mulher a frente de seu tempo. Ama a quem lhe aprouver, da forma que
melhor lhe parecer. É deliciosamente livre e despida de amarras e preconceitos,
é como a maioria de nós queria ser. É mulata decidida e generosa que enfrenta a
vida de peito aberto, disposta a sofrer e gozar com a mesma intensidade. Fiel
aos seus gostos e às suas paixões, a elas se entrega por inteiro.
Da obra de Graciliano Ramos - Vidas secas.
Sinhá
Vitória, uma retirante que cuidava dos filhos, uma mulher forte, segura as
rédeas na hora de partir e na hora de ficar, é aquela que indica com um simples
gesto o caminho por onde a família deveria seguir. Mesmo com toda a dor e toda
a miséria, ainda possui um imaginário povoado de sonhos, imagens, fantasias.
Da obra de Guimarães Rosa - A
Escrava Isaura.
Isaura, a heroína escrava, branca, pura, virginal,
possui um caráter nobre e demonstra “conhecer o seu lugar”: do princípio ao
fim, suporta conformada a perseguição de Leôncio, as propostas de Henrique, as
desconfianças de Malvina, sem jamais se revoltar. Permanece emocionalmente
escrava, mesmo tendo sido educada como uma dama da sociedade. Tem escrúpulos de
passar por branca livre, acha-se indigna do amor de Álvaro e termina como a
própria imagem da “virtude recompensada”.
José de Alencar cria sob a optica
de pessoa bem nascida, com profundas raízes na aristocracia, portanto ele se
dirigiu às mulheres, seguindo a ideologia patriarcal oitocentista, que
diferenciava sua conduta diferente da dos homens a fim de enaltecer as
qualidades femininas.
O autor escrevia sobre diversos
temas, levantando um panorama social e histórico do Brasil de maneira
magistral, sempre abordou temas polêmicos e que levassem à reflexão, indo muito
além de sua época, tornando-se sempre atual nos assuntos do cotidiano.
Da obra de José de Alencar - Lucíola
Lúcia tinha como característica principal a
contradição. Coexistem nela duas pessoas: Maria da Glória - a menina inocente,
ingênua, digna, simples e um verdadeiro anjo; Lúcia - a cortesã depravada,
excêntrica, rejeita o amor e é um verdadeiro demônio. Seus traços físicos:
cabelos e olhos pretos, a pele partida. Uma dualidade de caráter, ora anjo, um
ideal de beleza, romântica; ora demônio, uma cortesã. Em "Lucíola" se encontra sutileza de vidas a um fino
entendedor da sensibilidade feminina.
Da obra de José de Alencar - Diva
A
personagem central do romance de José de Alencar, Emília, a jovem mimada de
família de classe alta, filha de um rico capitalista do Rio de Janeiro. Vive
uma busca incansável por um marido mais interessado em amor do que em dinheiro.
Da obra de José de Alencar - Senhora
Aurélia Camargo é idealizada como uma rainha,
como uma heroína romântica, pelo narrador. A protagonista do romance, uma jovem
mulher dividida entre o amor e o ódio, o desejo e o desprezo pelo homem que
ama. Moça pobre. É decente e apaixonada por Fernando Seixas. A decepção amorosa
transforma-a numa mulher vingativa e fria, mas que não consegue disfarçar seu
verdadeiro sentimento por Seixas. Seu comportamento é típico de uma
esquizofrênica, já que se vê dividida entre sentimentos contraditórios até o
final do romance. O amor parece ser sua salvação, redimindo-a de perder o homem
que ama por causa de seu orgulho. De personalidade forte, carregada de
sentimentalismo romântico. Daí sua contradição, sua personalidade marcada por
extremos psíquicos: dá maior valor aos sentimentos, mas vale-se do dinheiro
para atingir seu objetivo de obter o grande amor de sua vida, Fernando Seixas.
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